quinta-feira, 26 de maio de 2011

O CASAMENTO EM NOSSO LAR

O homem e a mulher devem se completar e não competir por espaços que todos possuem. O homem é a aspereza do mundo e a mulher a beleza da delicadeza. A mulher é o equilíbrio do homem e este a segurança dela. Um não deve viver em rota de colisão com o outro, não deve existir a força bruta que machuca e nem a indiferença que maltrata. O lar deve ser o ambiente que ambos reponham suas forças para as lutas diárias.
O filme Nosso Lar, inspirado no livro de mesmo nome, mostrou de forma magnífica o mundo espiritual sob a visão de nosso amigo André Luiz. Mas o filme foi dedicado ao público leigo, pois o livro tem nuances tão polêmicas, que mesmo para o nosso tempo ainda são tabus que os idealizadores da produção cinematográfica não tiveram a coragem de tocar, ou inspirados por seres superiores foram orientados a não colocarem naquele momento.
Um destes pontos polêmicos é com relação à figura da mulher, ou seja, do espírito encarnada na situação do gênero feminino e a visão do casamento no relato do capítulo do “Caso Tobias”.
O casamento por algumas seitas do cristianismo primitivo, ligadas a um pensamento socialista, como os Cátaros, era visto como uma forma de propriedade inaceitável da mulher pelo homem. Eles acreditavam que o amor não precisava de amarras e que a propriedade privada, fruto do egoísmo, também estava representada na figura do casamento contratual, seja ele no religioso, ou modernamente falando, no conceito do direito civil.
O caso Tobias fala da relação terrena e espiritual com Luciana e Hilda, que no mundo dos espíritos vieram a habitar o mesmo lar espiritual. Na carne Hilda possuía um casamento feliz, de duas almas que se juntam para compartilhar uma vida de lutas em perfeita sintonia dos espíritos. Mas como desconhecemos os desígnios de Deus, Hilda desencarnou e inconformada ficou próxima aos seus depois de uma passagem pelo umbral. Tobias desnorteado e precisando do apoio necessário de uma alma na veste feminina, desposa Luciana, irmã dedicada que substitui a mãe ausente de dois filhos. O ciúme humano de Hilda e Luciana impede num primeiro momento de ver a benção de Deus, que na sua imensa sabedoria enviou uma irmã caridosa para ser o amparo moral como esposa do marido que sofre e a mãe dos filhos que estão órfãos. Mas com a interseção de um bom espírito, que fora avó de Hilda, o esclarecimento surge, e o veneno do ciúme é dissipado pelo antídoto do amor.
O sentimento de posse é umas das chagas da humanidade, que impede de ver a grandiosidade das ligações na carne entre os gêneros de espécie humana, e como diz Luciana:

(...) graças a Jesus e a ela, aprendi que há casamento de amor, de fraternidade, de provação, de dever, e, no dia em que Hilda me beijou, perdoando-me, senti que meu coração se libertara desse monstro que é o ciúme inferior. O matrimônio espiritual realiza-se, alma com alma, representando os demais simples conciliações indispensáveis à solução de necessidades ou processos retificadores, embora todos sejam sagrados.

         Mas qual a relação no lar entre a figura do espírito encarnado como homem ou mulher? Qual a ligação entre ambos?
No capítulo vinte – “Noções de Lar” – André pergunta à senhora Laura: Mas a organização doméstica, em "Nosso Lar", é idêntica à da Terra?
Dona Laura responde:

- O lar terrestre é que, de há muito, se esforça por copiar nosso instituto doméstico; mas os cônjuges por lá, com raras exceções, estão ainda a mondar o terreno dos sentimentos, invadido pelas ervas amargosas da vaidade pessoal, e povoado de monstros do ciúme e do egoísmo. Quando regressei do planeta, pela última vez, trazia, como é natural, profundas ilusões. Coincidiu, porém, que, na minha crise de orgulho ferido, fui levada a ouvir um grande instrutor, no Ministério do Esclarecimento. Desde esse dia, nova corrente de idéias me penetrou o espírito.
           
Sobre o orientador Dona Laura falou:

- O orientador, muito versado em matemática - prosseguiu ela -, fez nos sentir que o lar é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano da evolução divina. A reta vertical é o sentimento feminino, envolvido nas inspirações criadoras da vida. A reta horizontal é o sentimento masculino, em marcha de realizações no campo do progresso comum. O lar é o sagrado vértice onde o homem e a mulher se encontram para o entendimento indispensável. É templo, onde as criaturas devem unir-se espiritual antes que corporalmente. Há na Terra, agora, grande número de estudiosos das questões sociais, que aventam várias medidas e clamam pela regeneração da vida doméstica. Alguns chegam a asseverar que a instituição da família humana está ameaçada. Importa considerar, entretanto, que, a rigor, o lar é conquista sublime que os homens vão realizando vagarosamente. Onde, nas esferas do globo, o verdadeiro instituto doméstico, baseado na harmonia justa, com os direitos e deveres legitimamente partilhados? Na maioria, os casais terrestres passam as horas sagradas do dia vivendo a indiferença ou o egoísmo feroz. Quando o marido permanece calmo, a mulher parece desesperada; quando a esposa se cala, humilde, o companheiro tiraniza. Nem a consorte se decide a animar o esposo, na linha horizontal de seus trabalhos temporais, nem o marido se resolve a segui-la no vôo divino de ternura e sentimento, rumo aos planos superiores da Criação. Dissimulam em sociedade e, na vida íntima, um faz viagens mentais de longa distância, quando o outro comenta o serviço que lhe seja peculiar. Se a mulher fala nos fílhinhos, o marido excursiona através dos negócios; se o companheiro examina qualquer dificuldade do trabalho, que lhe diz respeito, a mente da esposa volta ao gabinete da modista. É claro que, em tais circunstâncias, o ângulo divino não está devidamente traçado. Duas linhas divergentes tentam, em vão, formar o vértice sublime, a fim de construírem um degrau na escada grandiosa da vida eterna.

         E diz Laura logo a seguir:

O homem deve aprender a carrear para o ambiente doméstico a riqueza de suas experiências, e a mulher precisa conduzir a doçura do lar para os labores ásperos do homem. Dentro de casa, a inspiração; fora dela, a atividade. Uma não viverá sem a outra. Como sustentar-se o rio sem a fonte, e como espalhar-se a água da fonte sem o leito do rio?

         Fica claro que o homem e a mulher devem se completar na terra, e que as ligações de amizade e afeto, devem superar as de propriedade. Nós espíritas sabemos que a condição de gênero é escolha individual, e que todos hora num ou em outro estado na matéria, cumpre sua missão de resgate e ou auxílio. Não deve haver dissensões entre o homem e a mulher, pois como as rosas, os espíritos são iguais, diferentes na forma, mas iguais na essência. O lar é o ambiente sagrado, onde se busca o equilíbrio de um verdadeiro sentimento cristão. Não deve haver disputa entre irmãos de jornada, então, que saibamos compreender que a união de almas é muito mais que a simples certificação cartorial e, que não é um homem terreno que dirá que os pares estarão unidos para sempre. Assim sendo, saibamos viver juntos e em paz.

terça-feira, 3 de maio de 2011

ESPIRITISMO O AGENTE DE RENOVAÇÃO SOCIAL

O espiritismo no Brasil parece um movimento de ex-católicos que deixaram a igreja, mas não as raízes de um pensamento supostamente apolítico, defendido hoje por alguns ditos pseudosábios da doutrina espírita.
            Kardec na Revista Espírita de 1863 afirma, com relação à evolução do espiritismo que:
O sexto e último período será o da renovação social, que abrirá a era do século vinte. Nessa época, todos os obstáculos à nova ordem de coisas queridas por Deus, para transformação da Terra, terão desaparecido; a geração que se levanta, imbuída de idéias novas, será toda a sua força, e preparará o caminho daquela que inaugurará o triunfo definitivo da união, da paz e da fraternidade entre os homens, confundidos numa mesma crença pela prática da lei evangélica. Assim serão verificadas as palavras do Cristo, que todas devem receber seu cumprimento, e das quais várias se cumprem nesta hora, porque os tempos preditos são chegados. Mas é em vão que, tomando a figura pela realidade, procureis os sinais no céu: estes sinais estão ao vosso lado e surgem de toda parte. (KARDEC, 1863)
            A renovação social inicia pela ação individual que têm reflexo no coletivo. A influência dos espíritos evoluídos, no sentido do auxílio desta transformação, parece ser forçosamente oculta pelos encarnados que não gostam de ouvir verdades e, escondem o lado transformador do espiritismo como agente de ação social.
            Em que casa espírita alguém falou que Emannuel é um severo crítico da igreja católica como algo que não representa mais o puro pensamento de Cristo. Leia o texto abaixo sobre o Vaticano:
O Vaticano, porém, não soube senão produzir obras de caráter exclusivamente material, tornando-se potência de poder e autoridade temporais. Afogou-se na vaidade, obtendo o que procurava, porquanto tem o seu império na Terra, que ainda não é o reino de Jesus. O seu fastígio, as suas suntuosas basílicas, as suas pomposas solenidades recordam o politeísmo e as dissipações da sociedade romana e, quando o sumo-pontífice aparece em vossos dias na sédia gestatória, é o retrato dos cônsules do antigo senado quando saiam a público, precedidos de litores. O símile é perfeito. (EMANNUEL, 1938)
            Vários são os irmãos que livre das ilusões do pensamento humano, e sedentos por conhecimento, percebem o desvio do caminho que os habitantes da terra teimam em trilhar. São espíritos que sabedores da opção da maioria dos habitantes da terra, não criticam com o intuito de humilhar, mas sim com a intenção de alerta no qual um pai orienta um filho, um professor guia um aluno e um ancião protege o mais jovem. Ser caridoso é também ser responsável com a verdade, e o que deve ser dito mesmo que mal compreendido, deve ser falado para que tenhamos um futuro melhor e um progresso mais rápido da humanidade no caminho dos passos de Jesus. Nilo Peçanha no livro “Palavras do Infinito”, dizia:
Se difícil e inoportuna se torna aos espíritos a ação de se imiscuir nos problemas atinentes à iniciativa necessária dos homens, nada os impede de oferecer aos que ficaram na liça, despendendo energias na mesma atividade que constituiu o característico de suas existências sobre a face da Terra, auxiliando assim aos que avançam pela estrada evolutiva, os cabedais de suas experiências, única riqueza que lhes ficou das temporalidades desse mundo. (PEÇANHA, 1935)
            O mundo espiritual percebe que a política perniciosa é uma prática corriqueira e, que os interesses individuais e do partidarismo são o foco principal dos governos humanos. O povo e seus clamores não são percebidos pelos ouvidos ocos dos que dizem trabalhar para ele.
[...] a política nacional infelizmente não vem encarando as suas obrigações austeras como se faz mister. No letargo que os poderes da fôrça propiciam, ouvindo empolgada os cantos de sereia do partidarismo e do individualismo perniciosos, vem olvidando os seus máximos deveres, as suas obrigações mais sagradas. (PEÇANHA, 1935)
            O Brasil vem copiando e adaptando fórmulas de sistemas políticos que não são constituídos para a realidade nacional. O povo brasileiro possui características únicas, percebidas, por exemplo, pela sua rica miscigenação de caracteres humanos e não de raça, pois só existe uma única raça, a humana. Também possuímos a característica de um povo que respeita dentro de sua capacidade evolutiva, o livre arbítrio do direito da escolha do culto religioso. Sistemas políticos importados de países com realidade diversa, somente podem trazer as dissensões num povo que deve ser unido.
O nosso país já atravessou o período em que se tornava mister a tradução e a adaptação dos costumes e leis alheias. Faz-se preciso encarar as nossas necessidades de perto, sem as imitações burlescas dos países que instauraram o governo forte pós-guerra e do comunismo que a Rússia se habituou a fabricar apenas para a exportação.(PEÇANHA, 1935)
            Talvez se pense que o que foi dito acima está ultrapassado, mas o que dizer de programas de governo que copiam ideários de um suposto neoliberalismo, que não foi idealizada e nem pensado para o Brasil. Da mesma forma podemos dizer: como pensar um comunismo materialista, seja ele, Chinês, Cubano ou da antiga União soviética, se são povos tão diferentes do nosso. Precisamos sim, a partir do exemplo de Jesus, procurar um modelo puramente nacional que veja um Brasil para os brasileiros e um país que seja um luzeiro para mundo.
            A ignorância é a forma de domínio do explorador, do hipócrita que muitas vezes se identifica como seguidor de cristo, mas que para ele o único próximo que interessa são os próximos mais próximos (família carnal) quando não somente a si mesmo.
            Jean Jaure, político francês, já dizia que o socialismo nasce dentro do indivíduo, não é imposto de cima para baixo, de uma estrutura de governo para a base que é o povo. O socialismo de Jesus só pode ser construído pelo povo. Não adianta criar leis sem o amparo do anseio popular, visto que, somente poderão ser aplicadas pela força, ou seja, terão já uma origem deturpada.
Acima de tudo é necessário estudar-se uma das mais importantes questões de psicologia política. Faz-se preciso interessar as classes, captar a adesão do povo a essas leis, seduzir as massas com a exposição dos seus altos benefícios. Todos os regulamentos e leis criados para o povo tornam-se desnecessários desde que se não saiba interessá-lo, desprezando desse modo o largo potencial de suas energias para a sua perfeita execução. As leis estiolam-se e desaparecem quando não são bafejadas pela homologação popular. (PEÇANHA, 1935)
            Podemos pensar que a solução para os problemas sociais do Brasil estariam nos que se intitulam participantes dos “novos partidos”. Mas estes novos partidos são braços de antigos, pernas e corpo que sem uma cabeça nova cambaleiam procurando um rumo, mas que possuem na ação reflexa os mesmos defeitos do partido antigo que é a semente caída entre os espinhos.
Faz-se necessário melhorar as, condições das classes operárias antes que elas se recordem de o fazer, segundo as suas próprias deliberações, entregando-se à sanha de malfeitores que sob as máscaras da demagogia e a pretexto de reivindicações, vivem no seu seio para explorar-lhes os entusiasmos vibrantes que se exteriorizam sem objeto definido. A maioria das nossas realidades por enquanto estão dentro dos problemas da assistência social, descurada por grande parte dos governantes. Os que vivem preconizando os partidos novos, apregoando o mesmo faciosismo de sempre, se esquecem de que a nação precisa antes de tudo do livro e da higiene, das obras de assistência sob todos os seus aspectos. (PEÇANHA, 1935)
            Mas nem tudo está perdido, pois existem ainda os que insistem numa boa política para os homens. São pessoas que sofrem a convivência com os seres oportunistas, que preferem as vantagens pessoais ao invés de serem úteis agentes de transformação da terra. E estes bons políticos, na maioria das vezes, são os que perdem aqui na terra, mas como falou Jesus aos discípulos:
Se alguém me quiser seguir, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á. Pois de que aproveitará ao homem, se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Marcos, VIII: 34-36; Mateus, X: 39, e João, XII: 24-25).
            Existe um ditado que diz que cada povo tem o governo que merece, e em minha opinião é um dos ditados mais corretos do mundo no sentido da ação política. Um mal político necessita do apoio de seres que vibrem igual a ele, pois se em nosso coração realmente quiséssemos algo de bom para nós e nossos irmãos, o mal não teria condição alguma de atuar no seio de um povo que está orientado na direção da luz de Jesus.
Infelizmente tivemos a fraqueza de nos apaixonarmos pelas teorias sonoras, acalentando os homens palavrosos, conduzindo-os aos poderes públicos, endeusando-os, incensando-os com a nossa injustificável admiração, olvidando homens de ação, de energia, que aí vivem isolados, corridos dos gabinetes da administração nacional, em virtude de sua inadaptabilidade às lutas da política do oportunismo e das longas fileiras do afilhadismo que vem constituindo a mais dolorosa das calamidades públicas do Brasil. Precisávamos para a solução de nossos problemas mais urgentes, não de copiar artigos e regras burocráticas, mas firmar pensamentos construtores, que renovassem os nossos institutos de ordem social e política, hoje seriamente ameaçados em suas bases, justamente pelo descaso e inércia com que observamos as exposições das teorias falsas e errôneas para a esfera do governo, as quais infiltrando-se no âmago das coletividades, preparam os surtos dos arrasamentos. (PEÇANHA, 1935)
            A sociedade brasileira pode ser o agente da mudança e, para tanto só precisa abdicar do egoísmo inerente aos interesses de classe, sejam oriundas do proletariado ou não. Os espíritos só possuem uma classe, a de filhos de Deus, e todos encarnados e desencarnado fazem parte dela.
Seria ideal que os brasileiros se unissem para a cruzada bendita do reerguimento da nacionalidade, conscientes de seu valor próprio, prescindindo as influências estrangeiras, realizando, construindo a pátria de amanhã, cujo futuro promissor constitui uma larga esperança para a Humanidade. Do próprio Nordeste, cheio de flagelados e desiludidos, poder-se-ia fazer um oásis. Aí temos os homens do pensamento e da ação, realizadores práticos, corajosos, que atacariam, de pronto, os problemas maia fortes de nossa economia, preservando-a, metodizando-a para o bem-estar da nação. Mas onde se conservam essas criaturas do sentimento e do raciocínio que as melhores capacidades caracterizam? Justamente, quase todos, por nossa infelicidade, se conservam afastados da paixão política que empolga a generalidade dos nossos homens públicos; com algumas exceções, a nossa política administrativa, infelizmente, está cheia daqueles que apenas se aproveitam da situação, para os favores pessoais e para as condenáveis pretensões dos indivíduos. O sentimento da solidariedade das classes, do amparo social, que deveriam constituir as vigas mestras de um instituto de governo, são relegados para um plano inferior, a fim de que se saliente o partido, a pretensão, o chefe, a figura centralizadora de cada um, em desprestígio de todos. (PEÇANHA, 1935)
            Os espíritas e todos que se dizem seguidores de Jesus têm a obrigação de agirem para a mudança da sociedade humana. Quem não faz o bem o mal já está fazendo, a neutralidade não é a característica de um verdadeiro cristão e espírita. Podemos não gosta de como vem sendo conduzido às rédeas deste mundo, pelos os que julgamos ignorantes, mas também devemos perceber que só vemos no outro o que ainda temos em nós mesmo, então, se queremos um novo tempo para todos, devemos sair do nosso ostracismo consentido e ver que ser espíritas é também cuidar e lutar por um mundo encarnado inspirado na caridade de Cristo. Os tímidos não herdarão o Reino do Céu... O Reino do Céu também pode ser aqui na terra. E como diz no Livro dos Espíritos, questão 932:
Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?
“Por  fraqueza  destes. Os maus  são  intrigantes  e  audaciosos,  os  bons  são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”
            Não sejamos tímidos então!


Referências:
PEÇANHA, Nilo (Esp.). Democracia - Fascismo - Comunismo duas mensagens de Nilo Peçanha sobre o momento político brasileiro In: CAMPUS, Humberto de (Esp.). Palavras do Infinito, 1935.
EMMANUEL (Esp.). Emmanuel. 1938. Disponível em: <http://www.bvespirita.com/Emmanuel%20(psicografia%20Chico%20Xavier%20-%20esp%C3%ADrito%20Emmanuel).pdf> Acesso em: 06 abr. 2011.
KARDEC, Allan. Revista Espírita. 1863.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

A HIPOCRISIA SEGUNDO LAMENNAIS

            Félicité Robert de Lamennais é um grande pensador humanista e espírita. Ativo participante na codificação espírita, a partir da sua atuação como espírito, também possui várias contribuições na Revista Espírita nos anos de 1860 a 1868. Suas obras ingressaram no Índex dos livros proibidos da igreja católica.
            Em 1834, Lamennais publica a obra lírica “Paroles d’um croyant” (Palavras de um que crê). No Brasil a obra é publicada com o nome de “Palavras de um Crente”. A edição brasileira contém também: O livro do povo (Le livre du peuple, 1838); A escravidão moderna (L'esclavage moderne, 1839) e Do passado e do futuro do povo (Du passé et de l'avenir du peuple, 1841). Quem tem o privilégio de ler suas obras percebe claramente o pensar espírita. Pode-se dizer que Lamennais já era espírita antes mesmo de Kardec ter idealizado está palavra.
            Na Revista Espírita Lamennais teve ampla participação, que a partir deste artigo iremos apresentar. Tentarei respeitar a ordem cronológica da Revista Espírita, mas a prioridade é focar o Pensamento Social Espírita.

A hipocrisia
(Médium, Sr. Didier filho.)
Deveria haver, sobre a Terra, dois campos bem distintos: os homens que fazem o bem abertamente e aqueles que fazem o mal abertamente. Oh bem! Não. O homem não é mesmo franco no mal; ele aparenta a virtude. Hipocrisia! Hipocrisia! Deusa poderosa, quantos tiranos elevaste! Quantos ídolos fizeste adorar! O coração do homem é verdadeiramente muito estranho, uma vez que pode bater estando morto, uma vez que pode amar em aparência a honra, a virtude, a verdade, a caridade! O homem, cada dia, se prosterna diante dessas virtudes, e cada dia ele falta com a palavra, cada dia despreza o pobre e o Cristo; cada dia ele mente, cada dia ele é falso! Quantos homens parecem honestos pela aparência que freqüentemente engana! Cristo chamava-os sepulcros brancos, quer dizer, a podridão por dentro, o mármore por fora brilhando ao sol. Homem! Tu pareces efetivamente com essa morada da morte, e enquanto teu coração estiver morto, Jesus não o inspirará mais; Jesus, esta luz divina que não clareia exteriormente, mas que ilumina interiormente.
A hipocrisia é o vício da vossa época, entendei-o bem; e quereis vos fazer grandes pela hipocrisia! Em nome da liberdade, vos engrandeceis; em nome da moral vos embruteceis; em nome da verdade, mentis. 
LAMENNAIS.
Dissertações Espíritas
Revista Espírita, outubro de 1860
Obtidas ou lidas na Sociedade por diversos médiuns.

            Os espíritas como seguidores de Jesus e de um cristianismo primitivo devem se ater a responsabilidade de seus atos. Dentro da regra do amar o próximo como a si mesmo, como justificar o pensamento capitalista, quando ser um capitalista é explorar o irmão, lucrar com o prejuízo dele. Tamanha hipocrisia pode existir num espírita-cristão? Até quando seremos o sepulcro branco?