quinta-feira, 9 de junho de 2011

ÁGUA É UM BEM OU MERCADORIA?


            Á água é um bem, mercadoria e ou produto? A água deve ser vista sob o ponto de vista humanista ou econômico? A diferença reside somente para quem se faz a pergunta.
            Os economistas dirão que na medida em que algo se torna escasso e a procura supera a demanda esse “bem” é considerado mercadoria e, se industrializado um produto. Já o humanista dirá que a água é algo necessário a vida, como o ar, portanto é um direito humano e de todos os animais do orbe e neste sentido um bem comum. Se cobrarmos pelo direito do uso da água para a sobrevivência física, estaremos agindo contra o direito humano a vida.
            O recurso água pode ser gerido pelo Estado, mas a partir do interesse do bem comum. Isso não determina que o Estado possua direito de propriedade, já que o bem é coletivo e não privado. Portanto, o Estado não pode transferir o controle de distribuição da água para o ente privado físico e ou jurídico em prejuízo do ser vivo. O tratamento da água distribuída para a população e sua distribuição certamente acarretam custos, mas não deve ser impeditivo para que alguém tenha seu direito à vida alienado por algo que em primeira instância é um bem público.
            O avanço tecnológico demonstra que a dita escassez deste bem somente seja fruto da especulação e rapina gerada pelo pensamento capitalista. A indústria é o maior consumidor da água dos mananciais, e no Brasil, por exemplo, não existe política de bacias que taxe o capitalista pelo uso abusivo e descontrolado desse recurso. Os comitês de bacias em vários estados estão paralisados nas casas do “povo”, devido principalmente ao lobby das bancadas ruralistas.
            Países no mundo, como o caso do Estado de Israel, impedem o uso da água por parte dos palestinos prisioneiros de Gaza e Cisjordânia, através de leis nacionais xenófobas, onde não permitem a construção de cisternas para a captação de água da chuva; a perfuração de poços; o uso de combustível para o bombeamento de água etc. Estados criminosos, como o citado, controlam a água através da violência da força de exércitos, que mantém na dependência seres humanos para a exploração dos mesmos como mão de obra barata. Neste sentido o interesse não é diretamente das corporações, mas de toda uma estrutura montada para manter a dependência econômica por meio da força de ocupação.
            O direito a vida é inerente a todos, e por constituir a água elemento vital a sobrevivência, não deve ser objeto de lucro ou controle seja da parte de quem for. A luta pelo direito deste bem precioso, é a luta pelo direito a vida, e qualquer resistência imposta contra aqueles que se acham proprietários da água é legitima.
            O direito de todos compreende o uso e consumo desta água de forma racional e igualitária, se existe carência do bem em lugar diverso e, abundância do mesmo em outro, com o avanço da ciência, dos meios de transporte etc, não existe justificativa para se privar o irmão de seu uso. O direito de um não impede o direito do outro, ambos se somam, portanto, a “suposta” escassez que justifica a transformação do bem em mercadoria, não se sustenta perante uma visão humanista e espírita de mundo.
            Novamente, para o capitalista – o “ladrão” – á água já é uma mercadoria, mas somente a nossa falta de ação fará com que o bem “água” seja algo indisponível a todas as pessoas do mundo. Guerras certamente existirão no futuro, como já existe na Líbia, por exemplo, em que a água será uma das alegações para o início do conflito. Mas não sejamos inocentes, a água não faltará, e o motivo alegado é somente para ocultar o egoísmo que justifica a venda de armas.
            No livro Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier, está escrito:

A água, no mundo, meu amigo, não somente carreia os resíduos dos corpos, mas também as expressões de nossa vida mental. Será nociva nas mãos perversas, útil nas mãos generosas e, quando em movimento, sua corrente não só espalhará bênção de vida, mas constituirá igualmente um veículo da Providência Divina, absorvendo amarguras, ódios e ansiedades dos homens, lavando-lhes a casa material e purificando-lhes a atmosfera íntima.
             
           Façamos da água algo útil em nossas mãos e não elemento de discórdia entre irmãos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

DINHEIRO



O dinheiro é um instrumento de progresso e como tal deve ser administrado. Não deve ser o fim, mas o princípio de algo; não deve ser o objetivo, mas o auxílio para atingi-lo; não deve ser instrumento de dor, mas fonte de dádivas de amor.
Na terra o dinheiro serve como estímulo aos que ainda se encontram aprisionados a matéria e ao materialismo. Não se nega que na terra dependemos das moedas como forma de organização econômica. E que sem este instrumento fictício não teríamos parâmetros para valorar produtos e serviços numa sociedade baseado no comércio de trocas e sedenta pelo lucro.
Mas novamente a criatura não deve dominar o criador, não devemos nos tornar escravos do ouro e nem tão pouco apaixonados por ele, mas como diz Emmanuel, no livro “Dinheiro”:
Não desconhecemos que na base do dinheiro é que se fazem os aviões e os arranha-céus, no entanto, é igualmente com ele que se consegue o lençol para o doente desamparado ou a xícara de leite para a criança desvalida.
* * *
Para quantos procurem compreender o assunto em foco, trocando a moeda pelo pão destinado a socorrer as vítimas da penúria ou permutando-a pelo frasco de remédio para aliviar o enfermo estirado nos catres de ninguém, reconhecerão todos eles que o dinheiro também é de Deus.
                                                                                              EMMANUEL  
Uberaba, 15 de janeiro de 1986.

            O dinheiro ainda nos liames da terra é moeda de troca e produto de especulação. Os juros, a conhecida usura, condenada de forma hipócrita no passado, é cultuada nos dias de hoje como forma “justa” de paga pelo dinheiro que se empresta a outrem, tornando o dinheiro instrumento de dor e martírio, pois causa a aflição naquele que não o possui e temor naquele que o detém.
            O dinheiro, como é o bônus-hora, deveria ser intransferível, ou seja, o que se ganha com o próprio esforço, no sentido valorativo, não deve ser transferido a outro, pois ele seria recompensado pelo mérito moral que não detivera. O dinheiro servindo como instrumento de troca, mas não de remuneração pessoal, não seria cultuado, por que a cada qual caberia a sua parte pelo o seu próprio esforço no progresso individual no auxílio ao coletivo. A usura desta forma não existiria, pois a cada qual seu dinheiro pertenceria, não sendo passível de transferência para aumentar o quinhão do irmão que solicita ou que o empresta. Em resumo, não podendo pagar por serviços prestados, mas somente por produtos, não teria necessidade de acúmulo, já que não somaria em sua riqueza algo que não poderia revender ou transferir, já que o dinheiro só poderia servir para adquirir o que necessitasse a mais do que já era oferecido.
O dinheiro intransferível, sendo o objetivo a vida do espírito, não faltaria no essencial para a sobrevivência do corpo, mesmo ao irmão que na ignorância não entendesse a Lei do Trabalho para o progresso seu e de todos. Ao que se esforça existiria sempre a recompensa, mas ao que se nega a ser útil somente o mínimo necessário para a sobrevivência.
            Em “Nosso Lar” no capítulo 22 – “O Bônus-hora” – a organização do trabalho pela recompensa da hora trabalhada demonstra claramente uma organização socialista, fique claro, que é o socialismo de Jesus citado por Emmanuel no livro do próprio nome. O bônus-hora é uma forma de recompensa meritória pelo trabalho do coração, não quantificado em metas de produção ou no tempo forçado de ocupação. A felicidade está em trabalhar no que se deseja e no tempo que aprouver, quem possui a liberdade de escolha e o conhecimento da importância da função que executa, tendo as condições de sobrevivência quando na carne, não necessita da recompensa ilusória do metal que enferruja, já que a paga é a felicidade de ser útil que sente como recompensa ao espírito.
            Mas muitos aqui na terra, presos na carne, parecem cegos que caminham num deserto sem rumo. Procuram o lucro a qualquer preço, não importa se o dinheiro é adquirido no prejuízo de alguém, justificam as vantagens que possuem pela esperteza que alegam ter, procuram a riqueza na carne e contabilizam a miséria do espírito. No capítulo citado acima está escrito, o que a baixo é transcrito, com relação ao assunto:

A maioria dos homens encarnados está simplesmente ensaiando o espírito de serviço e aprendendo a trabalhar nos diversos setores da vida humana. Por isso mesmo, é imprescindível fixar as remunerações terrestres com maior atenção. Todo o ganho externo do mundo é lucro transitório. Vemos trabalhadores obcecados pela questão de ganhar, transmitindo fortunas vultosas à inconsciência e à dissipação; outros amontoam expressões bancárias que lhes servem de martírio pessoal e de ruína à família. Por outro lado, é indispensável considerar que setenta por cento dos administradores terrenos não pesam os deveres morais que lhes competem, e que a mesma porcentagem pode ser adjudicada a quantos foram chamados à subordinação. Vivem, quase todos, a confessar ausência do impulso vocacional, recebendo embora os proventos comuns aos cargos que ocupam. Governos e empresas pagam a médicos que se entregam à exploração de interesses outros e a operários que matam o tempo. Onde, aí, a natureza de serviço? Há técnicos de indústria econômica, que nunca prezaram integralmente a obrigação que lhes assiste e valem-se de leis magnânimas, à maneira de moscas venenosas no pão sagrado, exigindo abonos, facilidades e aposentadorias. Creia, porém, que todos pagarão muito caro a displicência.

            Não se pode servir a Deus e a Mamon, nem tão pouco servir a Cesar. Não se deve desprezar a moeda, e dela deve se usar com sabedoria. Nunca devemos ser o sovina, que se achando grandioso, despreza o pobre ruidoso que suplica uma alegria. Deve-se saber que neste mundo, quem acúmula riquezas da terra, não tem nada que possa levar consigo para uma nova vida que espera. E como diz Emmanuel no livro “Dinheiro”:

Caridade ensinada melhora os ouvidos.
Caridade praticada aprimora os corações.  
Dividir conscienciosamente os bens que retemos é sustentar a respeitabilidade humana.  
Renunciar, a benefício do próximo, será sempre elevar-se.  
Derramando os valores da própria alma, Jesus legou ao mundo os tesouros da Compreensão e da Paz.

Então, aprendamos a trabalhar com o dinheiro e não para ele.