* Alexandre Luís de Souza Nunes
O homossexualismo é um assunto difícil de ser tratado dentro das religiões. É um fato inconteste a existência de irmãos que se declaram homossexuais e outros tantos que se encontram em conflito com sua identidade de gênero, mas qual é a visão espírita sobre o assunto?
No espiritismo é difundido que os espíritos não possuem sexo definido e, que o gênero feminino e masculino compreendido na carne é uma forma de aprendizado que permite a manutenção da espécie e dá oportunidade de progresso para todos.
Na carne os espíritos assumem suas peculiaridades culturais que variam de região para região, fazendo com que sejam inúmeras as situações possíveis de relação intragêneros. Situações conflituosas em sua grande maioria na qual a mulher muitas vezes é subjugada pelo homem. Marx afirmava que a “dominação do homem pelo homem, teve início no domínio da mulher pelo homem”, dominação esta sempre fruto do egoísmo e da falta de amor.
Quem analisa a história da humanidade sob o ponto de vista da dialética espírita percebe que a relação de violência entre os gêneros é constante, o que sob a lei de causa e efeito ocasiona situações em que ocorre a inversão de papeis. Esta inversão é caracterizada pelo reencarne num corpo diferente da posição sexual anteriormente ocupada.
Espíritos não possuem sexo, mas como seres em aprendizado, nós nos sentimos bem quando reencarnamos em um tipo de gênero que já ocupamos muitas vezes. Um espírito que reencarnou várias vezes como homem, e que não possua ainda o desprendimento da matéria, não se sente bem reencarnando num corpo feminino e o inverso também é verdadeiro. Ninguém é obrigado a ocupar uma função e posição que não deseja, desde que tenha condições de escolha a partir do merecimento almejado pela evolução obtida. Deus não é injusto e não pune ninguém.
Nós seres em evolução é que muitas vezes desrespeitamos a Deus quando por motivos diversos nos julgamos superior ao “semelhante” e, estando em condições favoráveis utilizamos o corpo do irmão como forma de obtermos prerrogativas de domínio que causam o sofrimento alheio. Dentro da Lei de Causa e Efeito e do ensino de Jesus que diz que não faças ao outro o que não querereis fosse feito a você, aquele homem que causou dor a uma mulher ou aquela mulher que causou sofrimento a um homem, poderá vir numa nova encarnação na vestimenta corpórea contrária ao que o seu espírito apraz. Quantos seres encontramos encarnados que se dizem sentir uma mulher presa num corpo de homem ou um homem preso num corpo de mulher.
Veja o que diz o Andre Luiz sobre o assunto:
Considerando-se que o sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser, é natural que o Espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher, e que o Espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem. Contudo, em muitas ocasiões, quando o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe os direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, é conduzido pelos agentes da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto íntimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe, diante de Deus, ocorrendo idêntica situação à mulher criminosa que, depois de arrastar o homem à devassidão e à delinqüência, cria para si mesma terrível alienação mental para além do sepulcro, requisitando, quase sempre, a internação em corpo masculino, a, fim de que, nas teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no seu ser o respeito que deve ao homem, perante o Senhor. Nessa definição, porém, não incluímos os grandes corações e os belos caracteres que, em muitas circunstâncias, reencarnam em corpos que lhes não correspondem aos mais recônditos sentimentos, posição solicitada por eles próprios, no intuito de operarem com mais segurança e valor, não só o acrisolamento moral de si mesmos, como também a execução de tarefas especializadas, através de estágios perigosos de solidão, em favor do campo social terrestre que se lhes vale da renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da vida e no progresso espiritual. (LUIZ, André. Ação e Reação, p.142-143. Disponível em: < http://www.bvespirita.com/A%C3%A7%C3%A3o%20e%20Rea%C3%A7%C3%A3o%20%28psicografia%20Chico%20Xavier%20-%20esp%C3%ADrito%20Andr%C3%A9%20Luiz%29.pdf> Acesso em: 14 Fev. 2012)
A psicologia terá inúmeras explicações para o “problema”, mas pela ideia de que somos seres imortais e que a diferença entre os sexos cumpre um papel evolutivo e reprodutivo, entendemos que os distúrbios momentâneos podem ter sua origem em outra vida e ou situações inúmeras.
Dizer que o homossexualismo é uma doença não condiz com a verdade, mas também afirmar que ele está dentro da normalidade é um erro, já que a normalidade quando encarnado é cada um ocupar o seu lugar, ou seja, espírito equilibrado dentro da matéria corpórea que possui neste momento.
Dentro do livrearbítrio cada espírito escolhe o que deseja para si, mas se a escolha atual difere do corpo que possuímos, é sinal de que algo fugiu ao controle, e em certo momento ocorreu o desequilíbrio energético que fez com que ocorresse a manifestação do gênero principal ocupado pelo espírito em outras encarnações.
Deus não obriga ninguém a nada, e a ciência com as operações de troca de sexo é a prova viva de que o livrearbítrio é a mestra no âmago de cada ser. Aquele que não se sente feliz no corpo que ocupa possui a liberdade de modificar a sua situação, mas deve antes de tudo procurar perceber o que realmente se manifesta e, se existe outra forma de se equilibrar que não seja a de modificar a matéria para adequar ao seu verdadeiro eu espiritual, já que as únicas relações importantes são as afetivas que possuem no amor incondicional maior afinidade que a simples definição do sexo carnal.