segunda-feira, 2 de maio de 2011

A HIPOCRISIA SEGUNDO LAMENNAIS

            Félicité Robert de Lamennais é um grande pensador humanista e espírita. Ativo participante na codificação espírita, a partir da sua atuação como espírito, também possui várias contribuições na Revista Espírita nos anos de 1860 a 1868. Suas obras ingressaram no Índex dos livros proibidos da igreja católica.
            Em 1834, Lamennais publica a obra lírica “Paroles d’um croyant” (Palavras de um que crê). No Brasil a obra é publicada com o nome de “Palavras de um Crente”. A edição brasileira contém também: O livro do povo (Le livre du peuple, 1838); A escravidão moderna (L'esclavage moderne, 1839) e Do passado e do futuro do povo (Du passé et de l'avenir du peuple, 1841). Quem tem o privilégio de ler suas obras percebe claramente o pensar espírita. Pode-se dizer que Lamennais já era espírita antes mesmo de Kardec ter idealizado está palavra.
            Na Revista Espírita Lamennais teve ampla participação, que a partir deste artigo iremos apresentar. Tentarei respeitar a ordem cronológica da Revista Espírita, mas a prioridade é focar o Pensamento Social Espírita.

A hipocrisia
(Médium, Sr. Didier filho.)
Deveria haver, sobre a Terra, dois campos bem distintos: os homens que fazem o bem abertamente e aqueles que fazem o mal abertamente. Oh bem! Não. O homem não é mesmo franco no mal; ele aparenta a virtude. Hipocrisia! Hipocrisia! Deusa poderosa, quantos tiranos elevaste! Quantos ídolos fizeste adorar! O coração do homem é verdadeiramente muito estranho, uma vez que pode bater estando morto, uma vez que pode amar em aparência a honra, a virtude, a verdade, a caridade! O homem, cada dia, se prosterna diante dessas virtudes, e cada dia ele falta com a palavra, cada dia despreza o pobre e o Cristo; cada dia ele mente, cada dia ele é falso! Quantos homens parecem honestos pela aparência que freqüentemente engana! Cristo chamava-os sepulcros brancos, quer dizer, a podridão por dentro, o mármore por fora brilhando ao sol. Homem! Tu pareces efetivamente com essa morada da morte, e enquanto teu coração estiver morto, Jesus não o inspirará mais; Jesus, esta luz divina que não clareia exteriormente, mas que ilumina interiormente.
A hipocrisia é o vício da vossa época, entendei-o bem; e quereis vos fazer grandes pela hipocrisia! Em nome da liberdade, vos engrandeceis; em nome da moral vos embruteceis; em nome da verdade, mentis. 
LAMENNAIS.
Dissertações Espíritas
Revista Espírita, outubro de 1860
Obtidas ou lidas na Sociedade por diversos médiuns.

            Os espíritas como seguidores de Jesus e de um cristianismo primitivo devem se ater a responsabilidade de seus atos. Dentro da regra do amar o próximo como a si mesmo, como justificar o pensamento capitalista, quando ser um capitalista é explorar o irmão, lucrar com o prejuízo dele. Tamanha hipocrisia pode existir num espírita-cristão? Até quando seremos o sepulcro branco?
           


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